Mercados Hoje: A caixa de pandora

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Introdução: Mercados asiáticos operaram sem direção definida; Na Europa dia levemente negativo com tendência de realização de lucros; Futuros do S&P indicam um dia negativo na américa também; Dia decisivo no parlamento britânico acerca do Brexit. No Brasil, governo tem derrota relâmpago no congresso e corre o risco de perder o controle da relação entre congresso e executivo; Além de perder o controle sobre a pequena parcela do orçamento que é discricionária.


CENÁRIO EXTERNO: MAY TEM APOIO DE ÚLTIMA HORA

Mercados… As bolsas asiáticas operaram de forma mista, o Nikkei perdeu -0,23%, Shangai e Hong Kong, avançaram 0,86% e 0,56% respectivamente. Na Europa o dia começou levemente negativo, o DAX perde -0,14% e o FTSE -0,20%. Na frente das commodities o petróleo WTI perde -0,50%. Os futuros de S&P indicam um dia mais negativo na américa, perdendo -0,24%.

Apoio de última hora… Hoje, a Premiê britânica, Theresa May, terá agenda cheia. Às 9h, May volta ao Parlamento britânico para mais uma sessão de perguntas e respostas sobre o Brexit e, às 14h, ela fará um pronunciamento a Parlamentares do seu Partido Conservador. Ontem, Jacob Rees-Mogg, membro do Parlamento britânico e figura principal de apoio ao Brexit dentro do Partido Conservador, sinalizou que poderá apoiar o acordo de Theresa May se houver uma nova votação – fato que pode virar o jogo para a Premiê caso seus seguidores o acompanhem na decisão. Segundo Rees-Mogg, o acordo costurado por Theresa May não o agrada, mas é melhor do que ficar como membro da UE.

Vai ter de escolher… A situação de May segue complicada, pois caso ela não consiga passar o seu acordo em votação até esta 6ª feira, ela será forçada a escolher entre uma extensão maior do período de negociações – que atrasaria o divórcio e possivelmente manteria o Reino Unido dentro da EU por meses – e uma saída desordenada (sem acordo), que deverá acontecer no dia 12 de abril.

Na agenda… Em dia de agenda morna, os destaques ficam com as divulgações da balança comercial de janeiro (9h30) e o déficit em conta corrente (11h) nos EUA.


BRASIL: A CAIXA DE PANDORA DO CONGRESSO

Teve surpresa da Câmara… No que aparentou ser mais uma derrota para o governo, a Câmara desenterrou e aprovou a PEC do Orçamento impositivo, de 2015, com placar quase unânime: foram 448 votos no 1º turno e 453 votos no 2º turno. Essa proposta torna impositivo praticamente todo o Orçamento da União, obrigando o Executivo a honrar todas as despesas do Legislativo – inclusive emendas de bancadas e emendas individuais. Mais: segundo a Folha, a articulação para levar a PEC à votação nesta 3ªF foi feita em reunião de líderes, sem a presença do líder do governo, Vitor Hugo, e o líder do PSL, delegado Waldir, estava lá e não teria oferecido resistência.

O governo está abrindo a caixa de Pandora… A caixa de Pandora, da mitologia antiga, é a caixa que guarda todas as maldades do mundo. O governo está tentando abrir a todo custo a caixa do congresso. Ontem foi apenas uma amostra grátis do que pode acontecer.

Passa batido no Senado… Seguindo a sua aprovação na Câmara, a PEC do Orçamento impositivo segue para o Senado, onde o presidente Davi Alcolumbre (DEM) já manifestou “total apoio” à proposta: “Aprovaremos o mais rápido possível”.

Cutucando onde dói mais… A PEC do Orçamento impositivo deixa o Executivo com condições de cortar e remanejar apenas 3% de um Orçamento de R$ 1,4 trilhão, ou R$ 45 bilhões, a números de 2019, que serão totalmente consumidos para o custeio da máquina pública. Até hoje, cerca de 90% do Orçamento já é composto de gastos obrigatórios, como Previdência e salários, e o restante (R$ 137 bilhões) era despesa discricionária, ou seja, que pode ser cortada ou adiada. Com o passar dessa nova PEC, nem isto haverá.

“Tudo sob controle”… Após a votação, coube a Carlos Bolsonaro e ao General Heleno declararem apoio à PEC, em tentativa de evitar que o acontecido soasse como derrota para o governo. O fato é que o “recado” que a Câmara está mandando ao governo exige muitos cuidados. Na medição de forças entre Executivo e Legislativo, deputados usaram tom de ironia, dizendo que agora não precisam mais barganhar por emendas, porque elas serão impositivas – uma clara crítica a postura do presidente Jair Bolsonaro, que se nega a negociar em nome da Nova Política.

Tudo rebate na Previdência… A inabilidade política está custando caro para o governo, e a crise política entre os Poderes, que parecia encaminhada para uma pacificação, se mostra viva, enquanto segue causando estragos e ameaçando a reforma da Previdência. Ao que tudo indica, se o governo não se empenhar em construir uma base aliada mais sólida para aprovar a reforma, esta não irá acontecer.

Nem tudo esta perdido… O envio de um documento do Centrão – que conta com PSDB, DEM, PP, PR, PRB, PSD, PTB, SD, MDB, Podemos, Cidadania, PROS e Patriota – em apoio à reforma, mesmo que com ressalvas, foi o ponto alto para o governo no dia de ontem, que foi repleto de decepções.

Sem novidades… Dentre as ressalvas contidas no texto, os líderes de 13 partidos condenaram desde já alguns pontos de resistência comum: as mudanças no BPC, na aposentadoria rural e a desconstitucionalização.

Tem seu valor… Os 13 partidos do Centrão somam juntos 291 deputados, votos que o governo precisa tratar bem para iniciar sua busca pelos 308 necessários para a aprovação da reforma da Previdência.

Na agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados no dia de hoje.

E os mercados hoje? A tônica do dia será dada pelo doméstico, que continua estressado pelo noticiário político conturbado. Vemos o dia como negativo para os ativos de risco domésticos. O prêmio de risco brasileiro voltou a subir (+2,70%) aos 178 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,76%, aos 95.306 pontos;
Real/Dólar: +0,50%, cotado a R$ 3,8741;
Dólar Index: +0,18%, 96.736;
DI Jan/21: +0,07 pontos base, 7,090%;
S&P 500: +0,72% aos 2.818 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Em retaliação a Bolsonaro, Câmara engessa Orçamento
– Celebração dos 55 anos do golpe vai parar na Justiça
– Disputa pela PGR deflagra lobby de procurador militar
– Presidente do Inep sai após mais um recuo de Vélez

O Estado de São Paulo
– Câmara mostra força e limita poder de gasto do governo
– Corte de R$ 30 bi deve prejudicar funcionamento de ministérios
– Novo recuo de Vélez mostra MEC à deriva
– Com ameaça de greve, estatal muda política de diesel

Valor Econômico
– Plano para militar contraria a ideia de flexibilizar gastos
– Câmara reage e derrota governo em votação
– Cartões têm novo sistema de crédito
– Brasil provoca controvérsia na OIT

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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