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Guide Política Internacional: Impeachment, protestos e eleição na Bolívia

Veja os 3 tópicos principais que estão rolando na política internacional e sua relevância para o Brasil.

Divulgação do Inquérito de Impeachment

Nesta semana, as comissões responsáveis pela investigação das acusações contra o presidente americano, Donald Trump, iniciaram a publicação dos transcritos que detalham os acontecimentos nas suas respectivas reuniões. A fase sigilosa do inquérito está se encerrando, enquanto a mídia americana começa a se debruçar sobre as milhares de páginas que serão divulgadas referente aos depoimentos feitos, até então, sob segredo de justiça.

Na semana passada, o primeiro voto relevante do processo foi realizado. A remoção do presidente não estava na pauta, mas o rito do processo que possivelmente o afastará, sim. Mais importante do que o rito em si, foi o placar 230 favoráveis a 196 contrários, que confirmou que o processo de impeachment continua polarizado e regido por filiação partidária. 230 dos 232 democratas votaram a favor do rito proposto pelo seu partido e todos os republicanos presentes em plenário votaram contra. Em breve, as reuniões serão televisadas, dando início ao espetáculo midiático que se tornará o procedimento.

O ponto focal das investigações é um telefonema entre a Casa Branca e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, onde, segundo os democratas, o presidente americano deu a entender que a ajuda externa financeira, oferecida pelo EUA ao país europeu, estava condicionada à realização de uma investigação que incriminaria o seu rival político, Joe Biden. O desfecho mais provável ainda é o avanço dos procedimentos até o voto no Senado, onde a maioria Republicana deve garantir a manutenção do mandato do presidente americano.

Relevância para o Brasil: Donald Trump é um aliado e ponto de referência para o presidente Jair Bolsonaro. Os dois pretendem assinar um acordo que amplia o comércio bilateral entre o Estados Unidos e Mercosul. Caso Trump seja retirado, e dependendo de quem venha a ocupar a Casa Branca, o relacionamento com o Brasil pode perder relevância na política externa americana.

Sebastián Piñera diz que não renunciará

Um dos países mais prósperos da América Latina convulsa sobre os efeitos de demonstrações, algumas pacificas e outras violentas, há mais de três semanas.  Ontem, o presidente Chileno, Sebastián Piñera, reiterou que não está pronto para soltar as rédeas do país. Apesar da insistência na manutenção do seu poder, o chefe de Estado declarou-se disposto a reformar a constituição chilena, ratificada (1980) no auge da ditadura de Augusto Pinochet.

Até o momento, as concessões feitas pelo presidente, incluindo a demissão de oito ministros, a promessa de aumentar salários e aposentadorias e reduzir preços de remédios e do transporte público, não foram suficientes para acalmar os ânimos dos manifestantes. Os protestos, que tiveram início no dia 14/09, começaram em razão de um aumento tarifário do metrô de Santiago, a capital Chilena. A reação inicial do governo aos protestos foi declarar “guerra” contra os “criminosos” responsáveis, além de instalar estado de emergência e anunciar toque de recolher em varias cidades do país.

As tropas de choque saíram as ruas para impor as ordens do governo. Nos próximos dias, vídeos mostrando o uso indiscriminado de violência por parte do governo, em várias cidades chilenas, começaram a circular pela mídia e pelas redes sociais.  O governo percebeu que a estratégia de mão pesada não teve êxito, mas o momento de lucidez foi demasiadamente tardio. A oposição ao governo tinha se mobilizado e o apoio ao presidente chileno alcançou um novo piso histórico. Pesquisas indicam que as atitudes tomadas por Piñera foram rejeitadas por 80% dos chilenos.

Relevância para o Brasil: O Chile se tornou um país modelo na América do Sul, representando o sucesso dos valores do liberalismo. A oposição no Brasil festeja a quedo do vizinho ao caos e interpreta as manifestações chilenas como presságio para o que ocorrerá no Brasil. O sistema previdenciário de capitalização, que serviu como modelo para a proposta derrotada de Guedes, é um dos pontos de tensão que alentam os anseios dos manifestantes chilenos.

Dito isto, os protestos chilenos mais se assemelham a ecos do que prenúncios para o Brasil, que teve protestos parecidos, porém mais amenos, que contestavam os aumentos tarifários nas passagens de ônibus de várias cidades em 2012. As demonstrações contra e a favor do governo Bolsonaro, ocorridas em 2019, demonstraram que o Bolsonarismo, apesar de todos os seus defeitos, ainda tem mais capacidade de mobilização do que a esquerda, que sofre para oferecer uma alternativa palpável na era do pós-Lulismo.

Evo Morales busca consolidar poder após eleição contestada

Evo Morales, presidente Boliviano incialmente eleito em 2006, e que já comanda o país por 3 mandatos, enfrenta dificuldades para estender a sua influência por mais 6 anos. O seu rival político, Carlos Mesa, contesta os resultados do primeiro turno da eleição realizada no fim de outubro. Mesa acredita ter conquistado uma parcela suficiente do eleitorado para forçar a realização de um segundo turno. Morales descorda. O Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia declarou Evo o vencedor da disputa presidencial após a contagem oficial demostrar que Morales conquistou 47,07% ante 36,51% registrados por Mesa.

Para eliminar a necessidade do segundo turno, a constituição boliviana requer do candidato que desponta a corrida mais da metade dos votos (50%+1) ou uma distância de 10% frente ao segundo colocado. Segundo a apuração final, a diferença de votos entre Morales e Mesa é de 10, 56 %. Desde a divulgação desta estreita margem, a necessidade de realizar segundo turno divide o país. Ontem, uma liderança da oposição boliviana, Luis Fernando Camacho, buscou entregar uma carta de resignação à Evo Morales, alegando que o incumbente tinha fraudado os resultados das eleições.  Camacho foi impedido de alcançar Morales por manifestantes que impediram a sua saída do aeroporto de La Paz, capital da Bolívia e reduto eleitoral de Evo Morales. Ainda não está claro qual será o desfecho do desentendimento entre Morales e seus rivais, mas o cenário mais provável é a manutenção do domínio do atual presidente.

Relevância para o Brasil: Os opositores de Evo Morales certamente teriam mais afinidade ideológica com o atual governo brasileiro. Porém, Morales tem demonstrado um grau de astúcia surpreendente em sua estratégia de política externa em relação ao Brasil. O líder indígena compareceu à posse de Bolsonaro e se fez mais que disposto a trabalhar com o seu oposto ideológico, que ele chamou de “irmão”. Bolsonaro também aparenta se dar bem com Morales, que ele diz “estar evoluindo”.

A Bolívia tem o Brasil como principal destino para as suas exportações, grande parte (94%) dessas sendo compostas pelo Gás natural carregado pelo Gasoduto Bolívia-Brasil, que supre 27% do consumo brasileiro. No relacionamento entre os dois países o pragmatismo comercial deve garantir posturas amigáveis.  A manutenção ou não do regime de Morales não deve ter grande impacto para Brasil, que é favorecido pela estabilidade do vizinho.

Conrado Magalhães Conrado Magalhães

Analista Político

Formado em ciências políticas pela universidade Marymount Manhattan College (NY-EUA), com pós-graduação em administração pelo Insper. Possui cinco anos de experiência no ramo de consultoria política como analista da Arko Advice e agora é o analista político da Guide Investimentos.

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